BLOG INTOLERANCIAQuando os sintomas das hipoglicemia começaram eu aprendi que a tolerância, a compreensão e, especialmente, a compaixão não são sentimentos muito fáceis de ser alcançados pelo ser humano. Mas o que me assustou mais ainda é que as pessoas que me rodeavam, as quais eu amava e me apoiava sem medo nenhum, também faziam parte desse nada seleto grupo, o grupo do ser humano, imperfeito e precisando de vários “updates” (tentando ser compreendida nessa nova geração).

O grande problema é que por eu confiar neles tão cegamente, comecei a desconfiar de mim: pensava que a errada devia ser eu e me sentia ainda mais para baixo. Entretanto, eu tive a sorte de achar um médico que descobriu logo de cara a hipoglicemia, conversou com minha família e explicou que tudo que eu estava sentindo era realmente real e não frescura, vontade de aparecer, preguiça ou qualquer outra coisa que pensassem a meu respeito.

Mesmo com todo o conhecimento que o médico passou (que hoje em dia, sabemos, não é nada em relação à vastidão que é a hipoglicemia reativa), muitas arestas ficaram sem ser aparadas. Entre elas, alguns sintomas que se confudiam com problemas da mente. Provavelmente, estarei sendo redundante, pois já falei sobre isso uma outra vez, mas a depressão e a ansiedade generalizada foram diagnósticos que recebi sem uma investigação adequada. Hoje em dia eu sei que a culpa dos sintomas ambíguos realmente foi da hipoglicemia.

Na época do diagnóstico de depressão e ansiedade generalizada tomei diversos remédios, como ansiolíticos e antidepressivos, e nenhum teve sucesso; pelo contrário, pioravam o quadro sensivelmente. Em uma atitude de extrema falta de responsabilidade, parei de tomar os remédios, tive abstinência que quase me fez voltar atrás, mas logo melhorei. Depois disso, comecei a cuidar da alimentação, mas ainda havia resquícios de ansiedade generalizada (não sabia, ainda, que aquilo poderia ser um sintoma de hipoglicemia).

Quando, enfim, caiu a ficha, controlei melhor a alimentação, com dieta restritiva, foi então que o céu abriu e eu vi uma luz no fim do túnel (para não ser mais clichê com frases feitas). Estava lá o ponto inicial para eu começar a entender de fato o meu organismo. Hoje em dia eu vejo que tudo que eu já tive foi um sintoma da hipoglicemia reativa. Parei de me culpar por ter sido preguiçosa, ou qualquer outro adjetivo que recebi.

Com essa descoberta também pude ver o quanto o ser humano precisa ainda de evoluir. A falta de tolerância me assustou muito. Médicos falavam, entre si, que meu quadro depressivo só poderia ser devido a algo mais pertubador, como gravidez ou Aids, afinal minha vida era perfeita (eu era estudante na época, não trabalhava).

Por mais que a intolerância e a falta de compaixão tenham me magoado naquela época, hoje em dia eu tento não cometer com os outros o que fizeram comigo, porque nós não sabemos pelo o que a outra pessoa está passando para chegar àquela situação. Cada um tem suas particularidades, suas cicatrizes e seus problemas. Não podemos, simplesmente, condenar alguém por não a entender. Contudo, como tambêm não sou perfeita, me pego cometendo intolerância às vezes. Porém, corrijo minha postura e repenso tudo que já havia pensado sobre a outra pessoa. É um exercício gratificante e muito esclarecedor.

 

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